Dia Internacional de Meninas e Mulheres na Ciência: a presença feminina no Instituto de Inteligência Artificial do LNCC

Pesquisadoras, gestoras e comunicadoras do Instituto de Inteligência Artificial do LNCC compartilham trajetórias, desafios e perspectivas sobre a presença feminina na ciência

Feb, 11 2026

Dia Internacional de Meninas e Mulheres na Ciência: a presença feminina no Instituto de Inteligência Artificial do LNCC

O Dia Internacional de Meninas e Mulheres na Ciência, celebrado em 11 de fevereiro, destaca a importância da equidade de gênero para o avanço científico e tecnológico. No Instituto de Inteligência Artificial do Laboratório Nacional de Computação Científica (IIA/LNCC), essa data reforça um compromisso concreto com a diversidade, refletido na atuação científica.

Para a pesquisadora, Carmen Bonifácio, o interesse pela ciência nasceu ainda na infância, a partir da curiosidade em investigar a fundo os temas apresentados em sala de aula. Essa motivação a conduziu à pesquisa científica, área na qual atua hoje no IIA. Segundo ela, “é gratificante saber que nossa produção de algum modo ajuda a impulsionar a evolução da sociedade”. Carmen também ressalta que a presença feminina é fundamental em todos os setores e lembra que, ao longo da história, mulheres à frente de seu tempo deixaram contribuições essenciais para a ciência. 

A atuação do Instituto também se volta à formação de novas gerações e à ampliação do acesso à ciência, especialmente por meio das olimpíadas científicas. A doutoranda Gabriela Moraes Botaro, pesquisadora do IIA-LNCC e responsável pelo apoio institucional do IIA à Olimpíada Nacional de Inteligência Artificial (ONIA), destaca que essas iniciativas têm um papel decisivo na aproximação de meninas e jovens mulheres com a ciência e a inteligência artificial. Para ela, “as olimpíadas despertam entusiasmo, abrem portas e ampliam horizontes, permitindo que meninas sonhem alto e se vejam como futuras cientistas”.

A própria trajetória de Gabriela ilustra esse impacto. Seu primeiro contato com uma universidade federal ocorreu por meio das olimpíadas científicas, e a participação em programas como a OBMEP e o PICME Júnior foi determinante para sua formação, abrindo caminho para a jornada acadêmica. Ela ressalta ainda que permanecer na pesquisa em níveis avançados envolve desafios significativos, especialmente em um contexto ainda marcado por desigualdades de gênero. “Para muitas mulheres, permanecer na ciência apesar desses desafios é também um ato de resistência e, ao mesmo tempo, uma forma de abrir caminhos e inspirar outras que estão iniciando sua trajetória”, afirma.

A pesquisadora Jonice Oliveira, integrante do Instituto de IA do LNCC, professora da UFRJ e coordenadora do Lab Cores, também destaca que os desafios se transformam ao longo da carreira. Segundo ela, embora tenha contado com boas referências acadêmicas e profissionais, foram poucas as mulheres que encontrou nesses espaços — ainda que todas tenham sido marcantes. O maior desafio, relata, surgiu ao assumir posições de gestão e liderança. “Precisei afirmar minha voz, meu lugar e minhas escolhas, pois, culturalmente, ainda não era habitual que mulheres ocupassem diferentes posições de liderança. Fico feliz em ver que essa realidade está mudando”, afirma.

Ao se dirigir às meninas e jovens que estão iniciando suas trajetórias, Jonice reforça a importância da autoconfiança e do respeito ao próprio processo. “Não se compare — pessoas com o mesmo destino percorrem rotas diferentes. A insegurança faz parte, mas não pode definir seus passos. A Ciência precisa da sua perspectiva — e a sua trajetória pode ser mais potente do que você imagina no início”, aconselha.

A diversidade de perspectivas também é apontada como um elemento essencial para a qualidade da pesquisa científica. Para a pesquisadora Rocio Zorrilla, a presença das mulheres na ciência está diretamente relacionada à otimização de talentos. “A ciência é uma busca rigorosa; para que a pesquisa progrida, não podemos nos dar ao luxo de deixar mentes capazes de fora”, destaca. Em sua atuação, Rocio observa que diferentes formações e olhares contribuem para soluções mais robustas, criativas e precisas, fortalecendo a produção científica em áreas como STEM  — sigla para Science, Technology, Engineering and Mathematics (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) — e inteligência artificial.

Além da pesquisa, o protagonismo feminino no IIA se estende às áreas de gestão, divulgação científica e articulação institucional. A gerente de projetos e divulgação científica do Instituto, Anmily de Paula Martins destaca que a presença de mulheres em posições estratégicas contribui para abordagens mais colaborativas, inclusivas e interdisciplinares, especialmente em áreas complexas e em constante transformação, como a inteligência artificial. Nesse contexto, ela observa que “a representatividade feminina também tem um papel importante na inspiração de novas gerações”, ampliando as possibilidades de atuação de meninas e jovens na ciência

Na mesma linha, Tathiana Tapajóz, que atua nas áreas de divulgação, administração e eventos do Instituto, destaca a importância dos eventos científicos como instrumentos de aproximação entre a ciência e a sociedade. “Os eventos científicos aproximam a ciência da sociedade, mostram como a ciência impacta o dia a dia de cada cidadão, despertando interesse, troca de conhecimento e participação social”, afirma.

Essa conexão entre ciência e público também é destacada por Graziele Loreti, que atua na comunicação e divulgação institucional do IIA. Segundo ela, “dar visibilidade ao trabalho científico realizado por mulheres é uma forma de fortalecer a ciência, inspirar novas trajetórias e mostrar que esses espaços são diversos, acessíveis e possíveis”

O coordenador do Instituto de Inteligência Artificial do LNCC, Fabio Porto, destaca que a diversidade de gênero contribui diretamente para a excelência científica e para o desenvolvimento de soluções mais inovadoras e socialmente relevantes. “No IIA, trabalhamos para consolidar um ambiente que valorize diferentes trajetórias e incentive meninas e jovens mulheres a enxergarem a ciência e a inteligência artificial como áreas estratégicas para o futuro do país”, afirma.

Núcleo de Divulgação do IIA instituto.ia@lncc.br